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Espírito imortal encarnado na Terra, adquirindo valiosas experiências enquanto pai(drasto) (de 6, em graduadas relações), marido (no 2º casamento. Que seja o último!), servidor público federal e ativista ambiental, entre outras aventuras... Estive por 8 anos no Acre, voltei ao meu amado Rio Grande do Sul, tornei ao Acre, cá estou.

domingo, 9 de junho de 2013

Vir e ir; re-unir e dividir; o eterno devir

Subtítulo: “O que é que a gente não faz por amor?”

Há 294 dias (thanks Excel!) eu publicava neste blog um desabafo sobre a situação em que me (nos) encontrava(mos) após a mudança do Acre para o Rio Grande do Sul. Escrevi sobre as mudanças na estrutura familiar, as dificuldades de (re)adaptação, da saudade dos “velhos” (mas não os mais velhos) tempos. Eis que o tempo passou, e aquilo que parecia ter “gosto de derrota” nos foi ofertado com sabor de sacrifício. Voltaremos ao Acre, parece certo. Há um processo no ICMBio solicitando minha remoção, no interesse da administração, para a RESEX Riozinho da Liberdade, em Cruzeiro do Sul. O constante esvaziamento dos escritórios do Norte faz com que qualquer analista que busque o Norte encontre portas abertas, tapete vermelho e o que mais o serviço público possa lhe oferecer...

Seu Mario, vocês devem estar a par, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), e se encontra em situação delicada. O futuro a Deus pertence, mas a recuperação dele parece que será lenta, e com altos e baixos. A debilidade física afeta o psicológico, o neurológico não contribui, os muitos anos vividos e a solidão da viuvez parecem ter atingido em cheio o grande coração do meu sogro, que, de sua vontade já teria se entregue de corpo e alma a “ultima amante”. Mas, o futuro a Deus pertence, e a vida orgânica ainda persiste numa alma, me dizem, aquebrantada. A família se esforça em reverter o quadro. Sandra e Clarissa viajaram a CZS, para ajudar nos cuidados, que devem ser constantes enquanto durarem.


Por aqui a vida não se alterou substancialmente, mas a situação acaba por reforçar a decisão tomada: o constante ir e vir que, devido às características peculiares da região, se torna cada vez mais cansativo. O carro novo (um Logan, recomendo) facilita, mas não elimina as dificuldades no deslocamento Mostardas<->Pelotas: transformou diversas trocas de meios de transporte e o carregar de considerável bagagem em constantes esperas na fila da balsa e uma maior preocupação com horários da partida e chegada. Também nos ampliou a capacidade de ir e vir, e proporcionou relativa economia, é verdade. Mas, no cerne, Sandra sem melhores perspectivas, e após algumas tentativas frustradas, menos animada com o porvir profissional. De minha parte, a vida profissional até melhorou, engrenou, animou. Mas as dificuldades da “patroa” me atingem em cheio, e tudo aquilo que pode me alegrar pouco o faz, com exceção da mais recente razão do meu viver, Clarissa. Desde a viagem alegria transmutou-se em saudades. 

Ainda bem que Ana Clara ficou para me fazer companhia, devido às obrigações escolares. E, agora, é o seu destino o que mais me preocupa. Nesta fase complicada pra qualquer pessoa, o Universo a coloca num turbilhão de possibilidades, no vácuo do passo no abismo sob o qual caminhamos todos, mas do qual uma garota de 13 anos geralmente não se faz assim tão consciente. O mais óbvio seria retornar conosco à Cruzeiro, mas para quê? O que existe lá (ou aí, a depender de quem lê) para uma alma ávida por ver, conhecer e saber? Sandra volta para cuidar do pai, para próximo da família original e para perspectivas profissionais mais animadoras; eu volto para estar com Clarissa e Sandra, para, finalmente, trabalhar numa Reserva Extrativista, para viver a vida simples que gosto e sei viver; mas Ana Clara volta para quê? Acompanhar os pais? Não me parece uma resposta satisfatória, e percebo isso nela, que já manifestou o desejo de permanecer em Pelotas, onde há inúmeras possibilidades de conhecer e saber. Lembro que muito do que me motivou a deixar CZS foi dar às minhas filhas a oportunidade de estudar aquilo que lhes interessava, e que CZS não lhes oferecia. Carolina parece ter alcançado o objetivo, “faz Direito”, e o Universo lhe ofertou outros aprendizados, os quais nenhum de nós imaginava, tipo casar e tomar conta de uma casa, morar sozinha, conquistar certo nível de independência. Mas Ana Clara teve apenas um gostinho daquilo que buscava, e a mudança pra Mostardas a privou de outras experiências, ainda que tenha lhe oportunizado, também, vivências únicas e inesperadas. Por mim, ela fica, e tomaremos os cuidados possíveis e necessários para que uma pré-adolescente tenha uma vida autônoma minimante segura, longe dos pais, mas próxima a familiares que a amam.

Outra motivação que nos trouxe ao RS foi a possibilidade de estarmos próximos à família gaúcha, e a vinda da Clarissa tornou isso ainda mais importante: meu núcleo familiar original é de tamanho reduzido, e tive a oportunidade de oferecer à minha mãe e a todos os outros a presença da figura singular que é Clarissa Rocha Saldo, mensageira do Senhor que vem cumprir todas as profecias. O fato é que, neste quesito “convívio familiar”, também as coisas não foram conforme esperávamos, e é aqui que sei que a decisão tomada gera maior sofrimento. Me sinto tão constrangido que não sei bem o que dizer, acabo por repetir uma certa ladainha, me defendo na razão de “fazer o que acho que precisa ser feito”, e me consolo – e busco consolar – na esperança de um provável retorno às paragens gaúchas após “mais uma chuva” no Acre. Mas, o futuro a Deus pertence, e nem sempre o provável se constitui em realidade, então, no fundo, nada tenho a ofertar senão uma nova ausência, agora em dose dupla.

Enfim, mais uma vez aproveito este espaço pra desabafar, pra tentar me fazer compreender, pra divulgar aos quatro ventos as dores e delícias de minhalma. Que eu seja compreendido e perdoado. Quem pediu vida fácil?

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