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Espírito imortal encarnado na Terra, adquirindo valiosas experiências enquanto pai(drasto) (de 6, em graduadas relações), marido (no 2º casamento. Que seja o último!), servidor público federal e ativista ambiental, entre outras aventuras... Estive por 8 anos no Acre, voltei ao meu amado Rio Grande do Sul, tornei ao Acre, cá estou.

domingo, 29 de agosto de 2010

A HISTÓRIA TRISTE – VOLUME 1: PANDA (Resenha)

Inspirado pelo recebimento, através do clube do livro do Universo Espírita, do livro “O mistério de Patience Worth: a história do mais extraordinário romance mediúnico”, relatando a história da tradução por Hermínio Corrêa de Miranda para o português de uma obra norte-americana por nome “A sorry tale”, comprei pela Candeia o primeiro dos 3 volumes, subentitulado “Panda”. Os outros dois “sub-chamam-se” “Hatte” e “Jesus”.
Três foram os motivos da escolha: primeiramente, meu fascínio por tudo o que escreve Hermínio Corrêa de Miranda. Comecei por “Diversidades dos Carismas” ainda em 2006,  em função de uma extensa publicidade no meio espírita quando do re-lançamento do livro do aclamado escritor de “Diálogo com as sombras”, o qual eu desconhecia  (autor e obras) até então. Lembro agora que não terminei de lê-lo, pois logo após o Clube do Livro do Universo Espírita me presenteou com “Alquimia da Mente” e este livro me cativou o interesse de tal maneira que levei meses o lendo, saboreando e refletindo sobre cada capítulo da intrincada relação entre mente e cérebro, Individualidade e personalidade. Recebi alguns outros, comprei mais alguns, e tenho um considerável compêndio de suas obras, algumas aguardando pacientemente o momento apropriado para serem por mim saboreadas. Tenho por  hábito doar meus livros à biblioteca do CEAK, aonde já residem outras obras de Hermínio Miranda, mas confesso meu apego por este pequeno conjunto, que considero tão valioso que temo por ele, apesar de com isso não permitir que outros se deleitem com tamanha profundidade na sublime escrita de HCM, como o mesmo se refere em sua obras. A maioria delas trata de estudos, compilações, teorias sobre a imortalidade da alma (o Espírito) e a sua relação com a matéria com a qual se comunica. Em “A história triste” entretanto, HCM é “apenas” o seu tradutor.
O segundo motivo são as condições nas quais o livro foi escrito: no início da década de 1910, um Espírito autodenominado Patience Worth (algo como “Digna Paciência”) comunicou-se através de uma jovem médium de nome Pearl Leonore Curran, ditando muitos poemas, vários contos e alguns poucos romances, dos quais “A sorry tale” é o mais famoso. Sua fama advém dos detalhes sobre a vida na Palestina à época de Jesus, e também pela qualidade literária da obra, escrita em um inglês vitoriano e com uso de neologismos particulares, característicos deste Espírito. A médium em questão, comprovadamente analfabeta funcional e extremamente iletrada, jamais poderia ter elaborado por si tal obra, e tudo o mais que fora comunicado por Patience. Tal fato, ao invés de dar notoriedade à obra, a levou ao ostracismo, devido ao preconceito à literatura mediúnica na época, que ainda vigora em alguns espaços literários. Cabe aqui a nota de que a obra foi escrita valendo-se de uma prancheta, ao invés da hoje costumeira psicografia.
The last, but not de least, é o fato de a obra ser mais uma daquelas que se situa nos tempos do Mestre, ainda que, aparentemente, não verse sobre ele especificamente (apesar de ele ser uma das personagens presentes neste primeiro volume e ter um volume intitulado com o seu nome), assim como é “Há dois mil anos”de Emmanuel. Mais uma vez, o escrito tem tons autobiográficos, ainda que a autora espiritual assim não o declare, mas os indícios de tal são visíveis e as notas complementares de  HCM reforçam esta idéia. Ódio (em inglês, Hate) nasce na mesma noite que Jesus, em condições semelhantes, ambos nas cercanias de Belém. Filho do futuro Imperador Tibério com uma “dançarina” de Roma, a mãe abandonada nutre tamanha mágoa com os acontecimentos pretéritos que impregna sua existência e a de seu rebento com o ódio do seu desamor, batizando o menino com o nome de Hate, mais tarde alterado pela tutora judia para Hatte no intuito de minimizar a pecha maldita.
O decurso parece óbvio: uma vida de toda sorte amaldiçoada, para o jovem e aqueles a sua volta, mas que, graças à presença de espírito, à sensibilidade e ao amor do ex-escravo Panda é suavizada e apresentada como profunda oportunidade de redenção de todos os envolvidos. Os protagonistas do livro são a escória daquele mundo, os amaldiçoados que procuram manter pura a alma apesar das mazelas a que estão submetidos:  deficiências mentais e físicas, lepra, humilhações, prisões e morte física. Os personagens transitam ao lado dos poderosos do mundo e daqueles que se supõem muita coisa, mesmo sendo quase nada.  Encontros e desencontros vão tecendo a teia da trama do longo romance (o primeiro volume tem 270 páginas, “devoradas” por mim em cerca de quinze dias).
Teia, a mãe de Hatte, é dotada de qualidades proféticas e parece prever o decurso da vida de Jesus, que parece confundir com o futuro do próprio filho, que também “herda” as faculdades da mãe. “Ele virá do Oriente” e “o sacrifício do cordeiro” são visões recorrentes de uma mediunidade descontrolada.  Ela conhece Maria, identifica suas qualidades morais e espirituais e profetiza seus infortúnios. Mais tarde, Hatte encontra-se com o jovem Jesus, que o diz que tanto Ele  quanto Hatte encontrariam o Pai, e que ambos eram irmãos. Jesus obviamente falava de Deus, mas Hatte julga tratar-se do pai desconhecido,  que ele mais tarde descobre ser da nobreza de Roma, um rei, o que confunde ainda mais o entendimento do jovem, após Jesus afirmar diante do Templo de Jerusalém que seu Pai habitava aquele lugar.
As falas e os diálogos são todos recheados de poesia e sabedoria, num texto que flui leve pelos constantes infortúnios e desventuras de seus protagonistas e da série de coadjuvantes que vão recheando a estória. Enfim, uma obra intitulada  “A história triste” (ou “Uma estória triste”, tradução literal do inglês) não poderia trazer pujança e boa-aventurança, apesar de o livro nos relembrar da importância de nos submetermos àquilo que o mundo tem para nós, com humildade e resignação. Outro bordão do livro sai da boca de Téia para ganhar a mente e o coração das outras personagens: “Ele (Deus) é sábio”. Vivamos crendo nisso...

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