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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Potencial Carta Testamento

Eis que me deparo, acho que pela primeira vez na vida, com a possibilidade real e consciente de "ir a óbito"...

Não que não possamos ir lá a qualquer momento da vida - para morrer, basta estar vivo - e que eu não pense eventualmente nessa possibilidade, mas aguardar, por longos 17 dias, uma cirurgia, e assinar não apenas um, mas dois termos em que reconheço a possibilidade de desencarnar permanentemente, mexeu comigo, ser humano cheio de medos e receios, um dos maiores deles o de "deste plano me ausentar".

Desde que me (re)conheço por gente, oscilo entre me maravilhar com a vida e a presente encarnação e (a)guardar  o momento da ida ao Mais Além, o retorno à "Pátria Espiritual" para um dia, me parece, desvanescer no Cosmo Infinito (<spoiler> assistam The Good Place </spoiler>, estudem gnosis e budismo, a roda de Samsara, para saber mais a respeito). Reconhecendo estar, ainda, muito distante dessa tida Iluminação, por isso este momento me perturba, e por isso escrevo essas mal redigidas palavras.

Apesar do "baixo risco cirúrgico", sabe Deus, né? Vai que o meu Ser Divino, aquele que se/me jogou pra cá, pressa experiência terrena, já esteja cansado, já cumpriu com o combinado reencarnatório, tenha alguma dívida cármica pra pagar, ou coisa do gênero, e a minha existência deva finalizar numa mesa de cirurgia. Talvez por isso, tenha pavor de hospitais, e quando os adentro é desafiando este temor por aqueles a quem amo, neste atual episódio, esse tal pablito, a quem muito aprecio. Talvez por isso, nas últimas trilhas pela Ermida Dom Bosco com o grupo Calangos e Caliandras tenha me deparado admirando esse constructo humano onde vim parar - Hospital do Paranoá, oficialmente denominado Regional Leste - do outro lado do Lago Paranoá, a despeito da magnífica natureza ao meu redor naqueles momentos. Talvez por isso, eu, orgulhoso piloto de motocicleta sem nenhum acidente relevante no currículo até então - apenas algumas leves trombadas, quedas e derrapadas - tenha decolado num quebra molas, me estatelado no chão e fraturado o rádio distal direito. Sabe Deus...

Mas, deixemos de coisas, cuidemos da vida.

Senão chega a morte ou coisa parecida e nos arrasta moço, sem ter visto a vida. 

Ou coisa parecida.

Sei que vi e vejo - vivi e vivo - a vida, dentro das minhas possibilidades. Do útero de minha mãe Iara até aqui, da minha amada Pelotas até o Distrito Federal, passando pelo Vale do Juruamar e outros tantos locais nos mundos internos e externo por onde errei - às vezes, creio, acertando - e perambulei, testemunhei primores e horrores da vida.

E é sobre ela, a vida, que quero falar - mas apenas escrevo - nesta potencial Carta Testamento, o que de melhor, julgo eu, posso deixar àqueles que ficarem, e com minhas humildes palavras se importarem.


VIVAM! Mas vivam MESMO, pra valer! Ame e dê vexame, sem Tesão por viver não há solução. Prestem atenção aos detalhes, aos supostos acasos, às sincronicidades, a tudo e ao nada, àquilo que te afeta, que te perturba, que ativa as sinapses cerebrais, que te arregala os olhos, bambeia as pernas, que faz o coração acelerar, o ar faltar nos pulmões, o rosto ruborescer, a genitália entumecer e/ou umedecer. Aí residem os prazeres e as dores, as coisas, sentimentos e pessoas que estão no mundo pra te ensinar o que é viver, e o que podemos fazer (d|n)essa vida. Ainda que, distraídos, venceremos, é prestando atenção às coisas da vida é que, de fato, viveremos. O que nos perturba são sinais advindos de outros planos, outros corpos, que chegam pra nos mostrar o caminho, o que fazer ou não. Equilibrades, sigamos a intuição.

Por isso, ao mesmo tempo, vivam com prudência, abertura e moderação, para viverem bem e muito, e com a atenção necessária. Excessos e negações distorcem, nublam e desfocam a visão. Atento e forte, pra viver e não perder tempo temendo a morte, mas sem arriscar demasiadamente (pois viver é correr riscos). Em tempos de bets, aposte na vida com segurança, em pequenas doses, para não se arrepender depois pelo patrimônio espiritual e afetivo perdido, sua ética, sua moral, seu ser. Poisé, All in, somente na 305 Norte 😉 #ficaAdica.


E, vivendo, AMEM! Não o amor romântico, idealizado, piegas, fogo da paixão, que tantas vezes queima e se acaba, outras vezes consome tudo e todes, deixando Terra arrasada ao seu redor. Ame o Amor verdadeiro, real, aquele que um cara chamado Jesus - também conhecido por O Cristo - veio nos ensinar, e tão poucas pessoas apre(e)nderam até agora. Amor incondicional, que vem de Deus, brota no Ser e alcança as criaturas, indistintamente. Um amor seu, inabalável! Ame o real - ainda que tudo neste mundo seja ilusão - as coisas e, sobretudo, as pessoas, pelo que são e não são, e não pelo que você imagina que são ou que possam ser ou te oferecer "de bom". Não se projete (mentalmente, fisicamente pode ser válido 🤭) sobre as pessoas, não se deixe levar pelas aparências, mas busque a Verdade mais além, na energia, nos chakras conectados. 


Não se julgue tanto, nem pra pior nem pra melhor. Aliás, não julgue nada nem ninguém, escape da armadilha do "juízo de valor": nada é ruim ou bom, as coisas e pessoas simplesmente são! Atravesse o portal dicotômico para viver plenamente e conseguir enxergar e saber o que são e o que é. Transcendendo o julgamento, te habilitarás a viver e amar abundantemente, aceitando e agradecendo pelo que "a vida" (tua própria consciência) te ofertou, naquele momento e sempre.


Aparentemente encerrada esta primeira parte do testamento/testemunho, deixo-lhes, ainda, algumas outras sugestões, na esperança de que meu parco legado ajude a construirmos um mundo melhor:


Leiam:

- A Ilha, de Aldous Huxley 

- Todos os livros de Roberto Freire, principalmente Ame e dê vexame, Utopia e Paixão, Sem Tesão não há solução 

- Descolonizando afetos, de Geni Núñez

- O Guia do mochileiro das galáxias 

- Todas e quaisquer "escrituras sagradas" (mas não se apeguem a nenhuma, vivam a religiosidade do seu Ser, seja você o templo onde Deus habita, guarde os preceitos da tua consciência)


Assistam:

- A viagem (Cloud Atlas)

- The Good Place 

- O Guia do mochileiro das galáxias 


Ouçam:

- o que vem do coração, nos momentos de Paz e Tranquilidade

- minha playlist Haribo no YouTube Music 

- o som do silêncio

- Arnaldo Antunes 

- Os The Darma Lóvers. 


Preparei uma playlist com algumas músicas que gostaria que tocassem em ordem aleatória no meu velório, enterro  e outros festejos em minha memória. Com telão, se possível. Se possível, cremem este corpo que habitei e lancem as cinzas num Jardim de Santa Maria, ou num vasinho de maconha não legalizada.


Por (quase) fim, se, "por acaso", eu sobreviver à cirurgia e estes escritos te fizerem perceber o quanto tu me amas e o quão triste seria eu ter partido sem termos nos visto, encontrado, falado novamente, "vem nimin", que ainda tô por aqui por mais um tempo.

Caso contrário, de muito valeu, gratidão por tudo que vivemos juntos, e por nada 🙏


Namastê.

Fui!

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Preceitos do pablicismo - um guia de autoajuda - 03 zen-budista


 Zen-budismo, no pablicismo, é a atitude que sustenta o indivíduo e o Templo. É a calma, a tranquilidade, a contemplação, o silêncio. É o pilar oriental, a essência do Divino. É a chave pro Eu Superior habitar, pro Eu Inferior evoluir. É a atenção à respiração, aos tiques, aos comportamentos repetitivos, em si e no mundo. É a atenção ao nada, ao vazio, à ausência. É a desatenção. Venceremos!




sábado, 11 de abril de 2020

Preceitos do pablicismo - um guia de autoajuda - 02 Cristão

O pablicismo é, essencialmente, cristão. Crê no Christo, o Ser Superior que habita cada um de nós, e que Jesus de Nazaré expressou - dizem - com perfeição. Crê, já num crossover com o espiritismo, que "um dia todes nós seremos anjos", que somos deuses, que não somos deste mundo. Crê no amor incondicional, na empatia, no dar a outra face, no pacifismo, nas bem-aventuranças, no Pai que a tudo provê, no "sim sim, não não", em não fazer acepção de pessoas, no "ide e pregai" (eis este livro e boa parte do que já escrevi nesta vida), no orai e vigiai.
O pablicista - eu, no caso - quando se depara com algo que o desafia, que o tira do piloto automático, deve pensar: "O que Jesus faria?", e procurar seguir o mais de acordo com este pensamento.  Por isso os evangelhos, canônicos e apócrifos, são fonte de inspiração.
O cristianismo já não é mais só Jesus, e o pablicismo traz consigo outros "cristãos de renome" e o Espírito de todes aqueles que humildemente "apenas" cumpriram a sua missão.
Francisco de Assis, o santo é um deles, e talvez o mais proeminente, como manifestação "quase perfeita" do Christo. Meu Deus, que homem assombroso! O que ele fez, o que construiu e o caminho disso tudo... Não há como não se abismar com a história do jovem fidalgo que, após deparar-se com o pavor da guerra, toma rumo inesperado na vida , "larga tudo" para da mais profunda pobreza dar nascimento uma das seitas religiosas modernas que eu mais admiro. Santa Clara vem com ele, obviamente, assim como o amor por tudo o que vive, o reconhecimento do valor de cada ser, a extrema humildade, o extremo compartilhar, a alegria do (também) sofrer.
Outros cristãos que inspiram o pablicismo? (S/P)aulo de Tarso, o "muito desejado" que se fez pequeno, pregou aos 4 ventos e deu forte testemunho de amor à verdade. João Evangelista, o "filho de Maria", acho que o mais longevo dos apóstolos, o místico que recebeu o Apocalipse das alturas celestiais. E outros tantos que não me vêm à mente neste momento, por isso devo retomar este parágrafo posteriormente...

Preceitos do pablicismo - um guia de autoajuda - 01 O pablicismo em resumo

Para melhor compreender o pablicismo, ele se estabelece num conjunto de outros ismos, e são estes ismos que hão de me guiar na feitura deste livro. Falando sobre cada um deles, espero das partes difundir o todo, a soma que é maior que as partes. Assim o faço para que aquele que me leio possa ter parâmetro de compreensão, ainda que traga consigo visões distorcidas dos ismos que compões o pablicismo. Eu mesmo tenho a minha visão particular destes ismos, aquilo que deles absorvo e reverbero. Pois bem, sem mais delongas, posso dizer que, em resumo, o pablicismo deriva e integraliza, e por isso é:

  • cristão
  • zen-budista
  • espírita
  • ayahuasqueiro
  • Umbandista
  • hedonístico
  • homeopático
  • liberal
  • anarquista
  • não-monogâmico
  • ecossocialista
  • idílico
  • ...

Preceitos do pablicismo - um guia de autoajuda - 00 Introdução

Gama, Distrito Federal, 11/abr/2020, sábado "de aleluia"
É tempo de quarenta, covid-19 no ar e em todo o planeta. Tempo de introspecções, reclusões, internalizações e - sempre é - reflexões. "Examinando e meditando" a soma passado+presente+futuro e determinando um rumo, ou não. Acabei de fazer isso (acho que faço-o sempre, inconscientemente), e por isso começo essas mal escritas linhas, projeto/promessa há muito pre-tendido, agora, assim seja, en-caminhado.
Já plantei - e hei de plantar ainda mais - várias árvores; fiz uma filha - e cri(o/ei) um plantel considerável; mas nunca escrevi um livro. Já escrevi muuita coisa, é verdade, mas um livro, não. Essa é uma das reflexões que me trazem até aqui. Ei-lo, pois, o livro.
Outro ponto que me traz até aqui é o compromisso adiado de "dar vida" a este meu cantinho eletrônico, há muito abandonado. Desempoeirá-lo. Quando aqui entrei, deparei-me com 3 rascunhos que nunca foram publicados, e não o serão, pois foram pra lixeira e de lá tornar-se-hão "void" em breve. Rascunhava, mas me faltava a vontade de publicar, falar sobre aquilo: ou não tinha ficado do meu agrado, ou no final eu vi que não valia a pena trazer à tona tal assunto ou evento. Este assunto, acho que vale, pois é O assunto.
O assunto é o pablicismo, "doutrina" filósofo-sócio-lógica encarnada neste ser que sou e habito: aquilo em que acredito, como sou ou quero ser e, claro, seus reflexos no (meu) mundo. É um guia de autoajuda, pois tem a missão de me resgatar de dentro de mim. Me ajudar a lembrar e registrar o meu eu. Ajuda pra mim, em resumo. Com a humilde pretensão de ajudar outres também, senão não publicava ;) .
Confesso que ensaiei esta iniciativa algumas vezes ao longo da vida, desde uma tenra idade em que descobri o pablicismo, nem lembro mais quando foi. Era pra ser um projeto (de ser) em construção, "mas me deu preguiça". Era pra ter sido começado um pouco antes, mas a internet "era" um espaço onde "estava" tão difícil de expor suas ideias, muitas pedras na mão de todo mundo. Pois bem, #fodaSe, e , parafraseando o Mestre, "quem quiser que atire a primeira pedra", #nãoMeCalarei :D .
Porque agora? Não sei bem, acho que "chegou o tempo". De retomar prazeres... Adoro escrever, apesar de achar a palavra escrita um tanto o quanto limitada. Isso aqui, talvez, devesse ser um vlog no Youtube, mas daí falta-me coragem de "dar a cara a tapa". Prefiro escrever, rever, editar, elaborar, acabo me expressando melhor com  a escrita. Haverá a perda de conteúdo mas, enfim, nem mesmo eu enquanto pablicismo encarnado consigo absorver toda a sabedoria que trago comigo. Tampouco aqueles que me rodeiam, mas aqueles que "sabem me aproveitar" conhecem a fonte de sabedoria e consolo que eu posso ser. Podemos todes, eis a verdade. É acreditando nesta fonte que me proponho a esta tarefa. 
Por ser uma obra eletrônica, você pode chegar aqui noutro tempo, após alguma revisão, maior ou menor. Estamos na versão 0.1, o primeiro rascunho, a obra ainda por ser.