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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eu no Rio

Estou no Rio de Janeiro,"Capital do melhor e do pior do Brasil". Infelizmente, os 40 graus estão pela metade: faz frio na Cidade Maravilhosa, que nem por isso perde charme ou elegância, apesar de não ser "aquele" Rio esperado por este acreúcho que não pisava estas areias desde 1994, quando aqui estivemos com os futuros colegas da FURG, na melhor viagem (neste plano) desta minha existência, deliciando-nos com o swing de Mick Jagger & Cia na turnê Voodoo Lounge.
Chegamos, vindos de Rio Branco (numa friagem tenebrosa), com conexão em Brasília, abaixo de chuva na noite do dia 3, enquanto o Brasil comemorava o 2° turno e a Tsunami Verde promovida pelo povo brasileiro em reconhecimento ao valor da nossa ilustre Marina da Floresta e do Mundo. Já eram 23:00, e o programa era acompanhar os resultados das eleições. Fui dormir sem saber se haveria 2° turno no Acre e, talvez por isso, ou talvez pela emoção de estar em tão ilustre solo, dormi pouco e um sono leve. Despertei às 6:00, tomei café em fui em busca do mar, uma vez que o hotel em que estamos fica no aterro do Flamengo, há uma quadra da praia, bem próximo de um outro em que fiquei hospedado com a turma da ETFPel numa época que nem lembro a data (alguém em ajude).
O tempo continuava encoberto, mas a cidade já dava sinais de vida após a festa da democracia: seres humanos e caninos paseando pela orla, os garis limpando os resquícios eleitorais, mais algum (pouco) lixo e as flores e folhas nas calçadas.
Reconhecendo o Rio de Janeiro (Pão de açucar ou os taxis amarelos?)
O Cristo: é preciso que ele creça e eu diminua
Me admirei com os pombos à beira-mar, aonde eu espera encontrar, quem sabe, andorinhas ou gaivotas. A água até não estava tão fria, mas o vento e a solitude do momento me desconvidaram ao banho. Talvez amanhã, ou quando o clima estiver mais propício, tenho tempo (viajo na segunda, 11/10):

Fomos para o curso do Funbio, aonde passei ainda mais frio, mas o chimarrão me salvou.
Ao longo do dia recebi comunicações da carioquíssima Virginia Gandres e do riograndino radicado no Rio, Felipe Massia Pereira. Combinamos nos encontrar, e asim vou preenchendo minha agenda, praticamente ao sabor do acaso.
Terminado o longo primeiro dia de curso, voltamos ao hotel, e saímos mais alguns colegas, em busca de alimento. Optei por saciar o espírito, e fui assistir "Nosso Lar", num cinema próximo ao hotel.
Encerrada a sessão, retornei ao hotel, posto estas mal traçadas linhas, e descubro que minha esposa tentou falar comigo via Facebook enquanto eu "perdia meu tempo" com vocês, meus amigos imaginários.

Ah, parabéns ao Tiririca (que você aprenda a escrever urgentemente, e copiando a letra do bilhete forjado) em São Paulo; ao deputado Henrique Afonso, meu candidato eleito; e a "Missionária Antonia Lucia" (que bons ventos a cassem).

Boa noite.


domingo, 1 de agosto de 2010

Geek da Floresta

Bem, sou analista ambiental do Instituto Chico Mendes de conservação da Biodiversidade, trabalho no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Cruzeiro do Sul, Acre, coração da Floresta Amazônica. Minha mochila procura compatibilizar o regime de trabalho ao qual estou submetido: períodos no escritório, ou em Rio Branco, Porto Velho ou Brasília;  e períodos na Unidade de Conservação,  em contato com populações tradicionais em comunidades isoladas ou em pequenos municípios .
  
O elemento principal é (1) um Acer Aspire AS1410, 2GB RAM e 250G HD. Tela de 11.6”, processador Intel Celeron, dá conta de planilhas,banco de dados, tem um software de SIG (Sistema de Informações Georreferenciadas)  instalado e permite a exibição de vídeos em tela cheia; que são armazenados, junto com o backup dos arquivos do escritório no (2) HD externo de 250GB com case X-Craft da CoolerMaster, devidamente adesivado (adesivos fluorescentes ;^) para não errar o encaixe do cabo, e acondicionado num estojo “adotado” de um roteador D-Link DWL-G730AP (que ainda não “ganhou a mata”: fica no homeoffice), e que permite o acondicionamento adicional de um hub USB 4 portas. O conjunto se completa com (3) um dvd externo  GP08NU20 da LG, e alguns discos virgens envelopados pra distribuir material pro povo da floresta, nessas paragens onde “Luz para Todos”ou gerador é uma realidade para grande parte dos moradores; e (4) um par de caixas de som SPA5200 USB da Philips. Adicionamos (5) um conjunto de cabos USB, carregadores e adaptadores de energia; além de (6a) uma longa extensão (ainda não achei uma de 3 pinos) pra poder deixar os equipamentos o mais longe do gerador possíve l, ganhar grande mobilidade e amplitude;   e (6b) alguns outros adaptadores: bluetooth,  card reader e áudio RCA (caso apareça uma caixa amplificada).
Uma (7) série de livros sobre biodiversidade e povos e comunidades tradicionias não pode faltar, praquelas horas de estudo na rede ou durante os longos deslocamentos no fundo de uma canoa , além da agenda (presente da ONG parceira), bloco de notas (com o adesivo do meu candidato ;^), lapiseira, caneta e marcador de texto, além de um apontador retrátil/laser. Ah, uma micro-lanterna Maglite, que funciona com uma pilha AAA recarregável que dura muuito tempo, acessório de um kit de sobrevivência Victorinox que não costumo utilizar.
Registrar eventos em áudio e vídeo é uma norma pessoal, então não pode faltar o (8)  Dell AXIM x50v, com várias baterias sobressalentes,  instalado software pra gravação em mp3 NoteM;  além da Canon PowerShot A620, com a qual eu fiz este registro fotográfico.  Um Cartão SD  de 2GB  em cada um garante o armazenamento de muitas fotos e vários vídeos. Com o (9) Nokia 5610 XpressMusic me comunico na cidade e ouço música na floresta, além de jogar City Bloxx e Sims 3. Em casos extremos, vira câmera de foto e vídeo e gravador de áudio. Com a promoção Vivo On e o pacote Vivo Twitando, acesso as redes sociais e recebo e envio emails. Pena o alcance da operadora ser tão restrito, a Oi já chegou nos municípios mais isolados, mas por aqui todo mundo é Vivo.  Fones de ouvido bluetooth pra conectar com o netbook ou celular, além dos fones tradicionais com prendedores nas orelhas, pra garantir hi-fi mesmo ao som de um motor de rabeta ou voadeira.
Todo o trabalho é lançado no  SIG  ou no Google Earth, onde gero mapas descritivos das atividades realizadas, então o (10) GPS é o fiel companheiro, e acabamos de receber uns modelos GPSmap 76CSx da Garmin, colorido, com cartão microSD e uma recepção excelente, registrando as coordenadas até debaixo de mata fechada. Esses brinquedinhos exigem algumas (11) boas pilhas recarregáveis, e um carregador eficiente, com tecla de refresh (descarrega totalmente antes de fazer a recarga).
Na hora do lanche (12) saches com mel, amendoim gigante do Quinari, castanha “do pará” (da amazônia) e uma cocada caseira produzida por uma senhora que passa vendendo semanalmente no escritório. Como bom gaúcho, incremento a carga com a (13) mateira do chimarrão.
Com toda essa parafernália eletrônica e sujeito às chuvas torrenciais da Amazônia, levo sempre um ou mais (14) sacos plásticos, (15) toalha super-absorvente Dry Lite e um  (16) abrigo Anorak Storm da Trilhas &Rumos.
E finalmente, ela, a estrela do post: uma (17) mochila Targus TCG650 já bem surrada pelo tempo, mas firme e forte, presente de um amigo professor da UFAC. Tudo dentro, vou de Brasília à fronteira com o Peru. Pronto pra tudo.
Promoção na promoção: mando um conjunto de DVD sobre a Serra do Divisor pro primeiro que indicar aonde está o pin botton do Instituto Chico Mendes, que utilizo nas reuniões “a paisana”.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre Comenius, piedade, moralidade, instrução e filosofias orientais

Caro Rodrigo,

Realmente Comenius era cristão, protestante, talvez um pouco herético, se analisarmos às suas concepções, as quais o transformaram, de certa forma, no pai da Pedagogia, o amor tornado ciência social. O incluo na assinatura de meus emails por ter influenciado Pestalozzi, que influenciou Allan Kardec, que codificou a "doutrina dos Espíritos", à qual eu me filio atualmente.
Mas, voltemos ao Cristianismo: será ele a moralidade mais fajuta que a espécie já conheceu, ou ainda não conhecemos o "cristianismo" realmente? Com certeza sabemos o que foi feito dos ensinos que Jesus trouxe a este mundo, sobretudo ao ocidente: somos reflexo disso. De fato, estes ensinos são de sobremaneira semelhantes às filosofias orientais que tu citas, das quais também sorvo algum ensinamento, tentando, por exemplo, ser fluido como a água, algo que aprendi no Tao Te Ching, assim como lá aprendi que Deus NUNCA nos será plenamente compreensível, pois é algo que vai além da compreensão. Mas de alguma forma devemos refinar esta nossa incompreensão para até onde nos for possível, naquilo que o Espiritismo vem chamar desenvolvimento da Intuição.
Estes ensinos são semelhantes porque guardam ligação com uma verdade essencial, são emanações desta verdade, a qual chamamos Deus, Tao, Chi. Eis o verdadeiro monoteísmo, e muitos poucos de nós nos apercebemos dele.
Admiro Jesus sobretudo pelo modelo de vida que o Evangelho nos apresenta, algo se se reflete (distorcido pelas imperfeições humanas), em Fransciso de Assis e na Teologia da Libertação, por exemplo: a preferência pelos pobres, pelos fracos da Terra, pelos humildes. Ele (o "Filho do Homem") nos dá a prova inequívoca de que Deus (o Tao, o Chi), nos dá tudo aquilo de que realmente necessitamos, assim como provê aos pássaros e aos lírios, e eis a nova definitiva chaga: a falta de fé no porvir, e descrença no poder do Universo, e a crença única e exclusivamente em nós mesmos, geralmente um nós individualista, que não percebe sequer o próximo ao nosso lado e quanto apoio ele pode nos dar. E assim, amadores que somos, tisnamos o quadro maravilhoso pintado por Deus (o Tao, o Chi).
Daí a necessidade de instrução, para melhor nos conhecermos e conhecermos o mundo que nos rodeia, reflexo exterior de um modo particular de ver a vida. Se essa instrução não nos tornar pessoas melhores, mais justas, mais equilibradas, mais harmonizadas com o sopro divino, de que nos servirá? Se este equilíbrio, esta harmonia, não nos torna mais tolerantes, de que nos serviu?

Enfim, o seu questionamento é a essência de tudo que a frase de Comenuis questiona:
Não seria melhor aprender que tipo de moral realmente é moral?
Recomendo uma leitura aprofundada da Didática Magna, principal obra de Comenius, de onde a citação foi retirada.

"Infeliz a instrução que não se converte em moralidade e em piedade."
Comenius (1592 - 1670)


Obrigado amigo, por este momento de reflexão, que compartilho com os amigos do blog pablosando.blogspot.com.
Paz e Bem.
Pablo

2009/10/21 Rodrigo **** <**********@ig.com.br>:
> Caro Pablo,
>
> não posso deixar de comentar sua frase do Comenius. Antes de querer
> transformar toda instrução em moralidade, não seria melhor aprender
> que tipo de moral realmente é moral?
Fiquei com a impressão
> ("piedade") que esse Comenius é cristão, e infelizmente o cristianismo
> é talvez a moralidade mais fajuta que a espécie já conheceu. Sugiro a
> vc procurar os trabalhos dos orientais, mais especificamente (não
> necessariamente nesta ordem) o budismo, taoísmo e confucionismo. Dão
> uma lavada nesse mar de superstição e "sujeitos bonzinhos" que ora nos
> assola. <Dei uma olhada na Wikipedia> Por melhor educador que ele
> tenha sido, não tenho dúvidas que o monoteísmo divide os povos.
>
> Abraços,
>
> Rodrigo ****.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A PARÁBOLA DO SEMEADOR

parabsemeador.gif Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 ).


Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada. Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, ele não tem em si raiz, antes é de pouca duração, e quando lhe sobrevêm tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza. E o que recebeu a semente entre espinhos, este é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa. E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto, e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um. (Mateus, XIII: 18-23).


Muito já se falou sobre os "solos" (os corações, as almas dos homens) aonde semeia o semeador, e o próprio Jesus assim o fez para esclarecer aos discípulos, conforme solicitação destes (que está no hiato do trecho selecionado aqui). Interessante notar que quem semeia, na transfiguração da parábola, na revelação do seu sentido "oculto", não é quem preparou o "solo", pois cada um é lavrador de si próprio, e tampouco o semeador colhe o fruto do seu trabalho, que fica a cargo do "dono do terreno", que haverá de colher "segundo suas próprias obras", isto é, conforme houvera lavrado a terra. Obviamente, cada semente plantada renderá conforme a qualidade do solo, dentro da ótica da parábola. Muito já foi dito, lido e estudado sobre estes solos de que a Humanidade é formada. Gostaria aqui de trazer a nossa reflexão sobre o semeador e a sua tarefa de semear.
Primeiramente, quem é o semeador? A princípio, poderíamos pensar que Jesus falava dele próprio, e muitas vezes somos levados a este raciocínio, pois ele é o maior de todos os semeadores que este planeta já conheceu, olhemos para nós, para as incontáveis congregações religiosas do planeta, frutos deste semear de Jesus, em solos que ainda precisam, na sua imensa maioria de alguma correção, para que dêem os frutos mais adequados. Entretanto, a mim parece que o semeador é todo aquele que a isso se propõe, ou seja, é todo aquele que se propõe a pregar a "palavra de Deus", que é a nossa semente em questão. Então, o semeador sou eu neste momento, é você no seu tempo, somos todos nós na nossa prática diária, pois na verdade, saimos todos a semear aos quatro ventos, e nos importa considerar que sementes andamos a carregar na nossa algibeira, e isso me faz lembrar da parábola subsequente deste capítulo de Mateus, a do trigo e do joio, mas esta fica para um outro momento.
Prestemos atenção que o nosso semeador em questão sai a semear e não escolhe terreno: lança suas sementes ao caminho, na terra espinhosa, entre pedras e em bom solo, assim como deve ter semeado às margens dos rios e, quem sabe, até mesmo no oceano. Essa prática pode nos parecer pouco eficaz dentro de uma lógica agrícola terrena, mas aqui não é alimento para o corpo que se busca alcançar, mas o alimento da alma. O semeador planta o futuro, planta a semente da Boa Nova, em que todos nós nos reconheceremos enquantos filhos de Deus, alinhados com o seu pensamento e a sua harmonia, que reina na Creação.
Se a semente encontra um bom solo, ela germina e dará frutos, conforme a vitalidade do solo. Mas também, conforme a qualidade da semente. Não é assim na nossa agricultura, procuramos as melhores e mais produtivas sementes? Pois bem, voltamos à questão das sementes que carregamos conosco. Daí a importância do estudo e da prática evangélica, da boa moral, da ética a que cada um deve se dedicar em conhecer e vivenciar, pois a semeadura é livre, mas inevitável, e a colheita será obrigatória. E os frutos da nossa plantação? Haverão de ser semeados em outras terras, outros solos, infinitamente e por todos nós.
Voltemos àquelas sementes que não germinaram. Fosse na lógica agrícola terrestre, abandonaríamos os solos improdutivos e buscaríamos os solos mais adaptados, e muitas vezes é assim que fazemos. "Não é assim que agem os publicanos?" Nos perguntaria Jesus . É preciso recuperar os solos alterados, as áreas degradas, porque todo solo guarda em si o potencial da grande colheita: ele começa dando 10 por 1, e vai ampliando a sua produtividade! Como é que isso acontece? É que parte da produção derrama-se sobre o próprio solo, nutrindo-o, fortalecendo-o. E mesmo aquele solo duro, espinhoso ou pedreguento, de semente em semente vai se tornando apto a receber a derradeira semente, porque os semeadores estão aí, incessantemente, nos dois planos da vida. Um dia, essa semente há de brotar e frutificar, e que dia maravilhoso, pra quem planta e, principalmente, pra quem vai colher...
É pode vir o vento, a enxurrada, que a riqueza do solo nutrido da "Palavra de Deus", da Boa Nova, do Evangelho não se vai com as itempéries. A traça não roi e a ferrugem não desgasta, pois são os tesouros do Céu, guardados na arca dos nossos corações, na imagem de uma pequena semente, de onde pode nascer uma castanheira, uma samaúma, mas também pode nascer o joio, se não tivermos cuidado de procurar saber de quê é esta semente.
Então, meus irmãos, lavremos o próprio solo, nos preparando para receber a semente, e saiamos a semear por aí, indiscriminadamente. Vamos trazer a reflexão de hoje para este nosso momento: Será que as sementes que eu carrego comigo são de boa qualidade? Será que eu não posso trabalhar o melhoramento, a produtividade da minha semente? Com certeza que sim! E o solo de cada um aqui, será que está nas melhores condições? Com certeza que não! Porque sempre poderemos ser melhores do que somos.
Que a Paz e o Amor de Deus estejam sempre presentes em nossas vidas!

(Reflexões para uma palestra no Centro Espírita Allan Kardec)

domingo, 3 de maio de 2009

Porque espírita?

Já fui católico,
budista, protestante.
Tenho livros na estante,
todos têm a explicação.
É fim de mês
Raul dos Santos Seixas

Raul tinha toda a razão quando disse "todos têm a explicação". Todos os livros ditos "sagrados" trazem uma explicação razoável (para uma determinada mentalidade) do Divino, do mistério da transcendência humana. Triste é achar que a vida se exingue com o falecimento do corpo. E aqueles que estão certos disso, então?! Tristes expectativas, do passado ao futuro.
Não me admira o mundo estar como está, uma vez que o materialismo, primo-irmão mais velho (talvez até mesmo padrasto) do consumismo secular, ser a idéia dominante na sociedade humana.
Mas, estatisticamente, existem mais espiritualistas do que materialistas, estou certo? Talvez estatisticamente, mas de fato, a imensa maioria de nós somos materialistas, pois agimos como tais. Não adianta dizer que acredita na vida eterna e proceder como "se não houvesse amanhã", desejando "tudo ao mesmo tempo agora", "e que tudo mais vá pro inferno". Quem irá pro inferno seremos nós! Ainda bem que o inferno não existe, ou melhor, é apenas um estado de consciência passageiro.
Por isso, o Espiritismo, que alguns insistem em chamar de Kardecismo, tudo bem. As religiões (ocidentais) antigas prestaram um grande desserviço fazendo Deus à semelhança do homem. As orientais foram bem mais humildes, deixando Deus (ou o Tao, ou o Chi) no limite do incogniscível, e tratando de aspectos mais práticos da vida na Terra ou de sua libertação.
"Fomos criados sua imagem e semelhança", é verdade (todos têm a explicação), mas somos nós que nos assemelhamos a Deus, e não Ele a nós. Claro que homens primitivos, recém saídos da animalidade, criariam um Deus animalizado, vingativo e pessoal, assim como anteriormente, tínhamos visto um Deus em cada aspecto humano ou em cada fenômeno da Natureza (estes estavam mais certos do que os anteriores...). Resumo da ópera? O homem não compreendera a Deus, assim como ainda hoje não o compreende. Foi preciso um enviado das hostes celestiais para nos trazer uma idéia mais aproximada, e nos apresentar o Deus de Amor. Pobre Jesus, o que fizemos com o Arauto da Nova espiritualidade? O "matamos"(extinguimos sua existência física, que nos desvelava as imundícies), nos apropriamos de seus ensinos e os utilizamos para o "mesmo de sempre". Mas pobre homem, que não percebeu que assim Jesus o desejava, pois o lírio haveria de nascer do lodo pestilento de nossos desejos de dominar, de escravizar o nosso irmão. Foi a própria pregação cristã, pregada aos quatro ventos, que denunciou os nossos erros, "e todos creram nele", e duvidaram de nós.
Duvidando de nós, duvidaram de nossas instituições, e o homem se afastou dos templos, esqueceu-se que o templo verdadeiro é a sede do espírito, e se encharcou de carne. Alguns ainda cultivaram uma espiritualidade, mas era importante esquecer a Deus, ao seu filho (Não somos todos?), e colocar o homem, isto que nós conhecemos como ser humano, e os seus potenciais que vislumbramos, em primeiro lugar, para garantir a nossa sobrevivência, talvez,inclusive, para que as coisas se modificassem, mas não tanto. Nasce o Iluminismo, o Positivismo.
Eis que as promessas se cumprem, e "Filho de Deus" manda o Consolador, que já habitava entre nós desde antes da sua vinda, mas era envolto em nuvens. Desta vez, ele vem claro como a luz do dia, ou melhor, audível como pancadas em mesas e paredes. Mais uma vez, o homem (agora desgarrado de qualquer noção de divinização ou transcendência de si) toma o fenômeno para si, e o usa lúdica e despreocupadamente para seu deleite. Mas Deus escreve certo por linhas tortas, e alguém, com o mínimo de juízo, bom senso e espírito investigativo pergunta: De onde vem esta inteligência que percebo aqui? "Descobrimos" os Espíritos, e eles nos falam, através das batidas e, mais tarde, pela escrita e inclusive pela fala, que são os mesmos homens da Terra, desprovidos do corpo material, mas que ainda "materializados consciencialmente", ainda andam por aqui, e têm notícias importantes "de mais além" para nos trazerem. Vamos ouvi-los, pois!
E os que eles nos contam é de um todo fascinante: colônias espirituais, mundos habitados, transmigrações planetárias. Lembram de quem foram em existência anteriores à mais recente, demosntrando que retornamos reincidentemente à carne, assim como nos falam das preparações que são realizadas para este retorno. Nos falam da sua compreensão de Deus, de suas Leis, de seu Amor e de sua Justiça. Falam de evolução constante antes mesmo de Darwin tocar no assunto, e extrapolam a noção, que neste pesquisador se resumiu à parcela materialista mais evidente (o que já significou grande avaço para a mentalidade humana, e significaria a fogueira trezentos anos antes). Nos trazem a definição que nos abre o coração ao Pai Criador: A Inteligência Suprema do Universo. Não mais um Deus antropormofizado, mas a intelectualização da essência humana, nos mostrando que o homem é um "ser pensante" e que esse ser sobrevive, uma vez que eles estão alí, conversando conosco, e pensam! Não me admiria que os sequiosos de domínios tivessem escravizado as consciências: alí estão os homens! Assim como não me surpreende que, após milênios de escravidão mental, o homem se rebelasse e "virasse o cocho" da meneira que vem virando.
Mas, aquele homem de espírito pesquisador raciocina, e nos diz: cuidado com as palavras dos Espíritos! São as palavras dos homens de outrora, eu mesmo conheci alguns deles enquanto ainda encarnados. Neles devemos acreditar tanto quanto nas nossas idéias. Submetamos tudo ao crivo da razão, daquilo que nos pareça lógico e consistente, e estaremos dentro da margem segura de nossa inteligência (que é a nossa essência).
Daí nasce o Espiritismo, uma doutrina filosófica, oriunda da observação e da comunicação com os seres humanos desencarnados, que nos trazem reflexões sobre o proceder do homem na Terra, e da nossa conexão inequívoca com Deus, uma vez parte integrante da Creação. uma doutrina que não nos diz "É assim", mas dialoga ("nos foi ensinado assim, se te parecer razoável, pode juntar-se a nós"), não nos supõe infalíveis, muito antes pelo contrário. E aquilo que eu tenho considerado o maior benefício do Espiritismo à Humanidade: nos revela o sentido oculto das escrituras, como Jesus havia nos prometido. Uma leitura espírita da Bíblia e, sobretudo, do Evangelho, nos revela um outro mundo, que se baseia na mensagem clara que Jesus nos deixou (e que ainda hoje não compreendemos) que é o Amor. Mas nos evidencia este amor onde a ilusão da matéria e da suposta unicidade da existência nos o oculta: na criança deficiente, nas "mortes" prematuras, nos desafetos familiares. Nos dá a esperança do melhoramento, da expiação das faltas ao invés de nos condenar sumariamente. Nos apresenta a Grande Família Humana, dispersa pelos infinitos mundos e dividida entre dois planos da manifestação da vida. Nos explica a diversidades de caracteres e de aptidões.
Enfim, uma doutrina que nos faz pensar, ao invés de pensar por nós. E só isso me basta para elevá-la acima de todas as outras, apesar de estarem todas na mesma dimensão da existência humana, cada uma dentro do seu contexto histórico e consciencial.
dele